A importância de promover o vínculo com o bebê

O vínculo afetivo e o apego entre a mãe e o bebê

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Em todo o reino animal são os laços afetivos e táteis entre mães e filhos os que asseguram as boas interações e um correto desenvolvimento futuro. Esse momento crítico de vinculação sucede ao momento do parto ou minutos e inclusive horas depois dele. Se a mãe permanece separada da sua cria durante esse momento é frequente que quando o volte a ver, esta o rejeite. 

Em estudos similares, mas com humanos acontece algo muito parecido, salvo na peculiaridade de que esse momento crítico é muito mais flexível e pode permanecer meses e inclusive anos depois do parto. Além do vínculo ou da união se fala também de apego, que é um tipo de vinculação muito mais emotiva. 

O vínculo entre a mãe e o bebê

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Os reconhecidos pediatras Klaus e Kennell citam os abraços, beijos e olhares como indicadores básicos para a criação do vínculo entre mães e filhos. Até tal ponto que naqueles casos em que houve um amplo e precoce contato entre mãe e o seu bebê, os resultados têm sido muito positivos.

As mães que conseguiram criar esse vínculo a poucas horas do nascimento eram muito mais próximas dos seus filhos, tinham menos problemas de amamentação e tocavam os pequenos com muito mais frequência. Por outro lado, as crianças apresentavam um cociente de inteligência bastante alto na idade de três anos, do que aquelas que haviam sido separadas de suas mães. 

Além do mais, para um bebê essa primeira relação de apego tem uma grande importância porque pode ser o modelo mais significativo para as relações que estabelecerá no futuro. A forma com que cada pessoa aprende a ser tem a sua origem nas experiências precoces que temos com nossas mães ou com quem tenha cuidado da gente nos primeiros dias das nossas vidas. 

A preocupação pela relação precoce do bebê com sua mãe foi um dos temas centrais de muitos pesquisadores na década de 40 e 60. Os primeiros trabalhos nesta linha foram realizados por René Spitz. Spitz conclui que as crianças criadas em orfanatos entravam num período em que predominava um estado tranquilo e se tornavam muito demandantes de atenção

Posteriormente entravam num período onde se tornavam passivos e taciturnos para entrar no último período onde se negavam a comer e muitos morriam. Esses bebês se negavam a viver denunciando que algo faltava para o seu bem estar social, o que falta era a mãe, mas não somente a mãe física, mas também o âmbito familiar que o cuidado maternal contribui. 

Os atos de carregar ao bebê, cantar-lhe uma cantiga de ninar, olhá-lo, beijá-lo, alimentá-lo ou niná-lo são todas experiências de vinculação. Os especialistas acreditam, portanto que para gerar este apego há que incentivar esse contato positivo com o bebê, já que esses atos causam respostas no cérebro do bebê e incidem diretamente no desenvolvimento emocional, social, fisiológico ou de comportamento da criança para toda a sua vida.

Marta Veguillas Ocaña

Pedagoga