O crescimento das crianças

Como as crianças crescem desde o nascimento à adolescência segundo Dr. Juan C. A. Martín

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Depois do primeiro ano de vida, o índice de crescimento de uma criança se reduz pela metade. Dos dois anos até a puberdade, o crescimento pode ser constante e lento, e as crianças podem crescer de 6 a 8 cm por ano, ainda que possa haver variações. Em todo o caso, o crescimento das crianças é, em muitas famílias, uma preocupação. 

O doutor Juan Carlos Abril Martín é médico em Ortopedia e Traumatologia Infantil no Hospital Niño Jesús, e no Hospital Ruber Internacional e nessa entrevista concedida a Guiainfantil.com ele comenta todas as dúvidas que os pais têm sobre o crescimento infantil

O crescimento das crianças do nascimento à adolescência

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Alguns pais consideram que o seu filho é baixinho. Quando começar a se preocupar pela altura da criança e quando se deve procurar um médico? 

A baixa estatura em crianças, por mais saudáveis que estejam pode ser um problema relativo ao atraso na velocidade de crescimento. São as crianças que desenvolvem 2 ou 3 anos mais tarde do que seus companheiros e chegam a alcançar uma altura normal aos 18 anos. Somente se deve falar de baixa estatura nos casos em que não cheguem a um percentil 3 mantido ao longo de um período de vários anos de acompanhamento (o percentil varia de 3 ao 97). 

Do que depende o tamanho das crianças? 

Principalmente da altura familiar, mais especificamente dos progenitores, ainda que dependa também de uma multidão de outros fatores. A alimentação, a presença de alterações genéticas, em particular dos déficits hormonais de crescimento, e de doenças concomitantes durante os períodos de ‘estirão’. Qualquer doença severa, assim como um estresse emocional pode ter um efeito adverso sobre o crescimento das crianças. 

Como se diagnostica que uma criança não cresce como corresponderia à sua idade? 

O crescimento normal das crianças está refletido nas tabelas de crescimento dependendo do país e de acordo com suas idades. Essas medições marcam uns limites de normalidade que variam entre um mínimo e um máximo. 

Que tipo de doenças pode afetar o crescimento dos ossos e músculos da criança? 

São muitas, mas as mais importantes são as que afetam diretamente a cartilagem de crescimento: doenças congênitas como a acondroplasia, hipocondroplasia e alterações cromossômicas que alterem a placa de crescimento dos ossos. Também podem afetar o crescimento as doenças adquiridas como as infecções, as fraturas, a má nutrição (raquitismo) e as doenças endocrinológicas. Todas elas têm em comum a afetação das células que devem se multiplicar para gerar a altura dos ossos. Os músculos, por outro lado, não crescem por si mesmos e somente o fazem por tração do osso, ou seja, crescem devido a que o osso cresce e os estira. Daí que uma criança baixa tenha seus músculos de acordo com a longitude do osso, e o mesmo acontece com o resto das estruturas dos membros, artérias, veias e nervos. 

O que os pais podem fazer para favorecer um correto crescimento no seu filho? 

Simplesmente manter uma atenção em relação à sua alimentação, e brindar-lhe com uma alimentação saudável, com atividades físicas e esporte. Durante as revisões médicas, os pediatras, graças às tabelas e gráficos de crescimento estabelecidos pela OMS vigiarão e determinarão quando uma criança seja de baixa estatura, e atuarão de acordo. 

As crianças crescem sempre a uma mesma velocidade ou existe algum período significativo no seu crescimento? 

Cada pessoa tem sua própria velocidade de crescimento, que dependerá do seu relógio biológico, que se situa na região central do seu cérebro (o hipotálamo). No entanto, a espécie humana apresenta, em geral, dois surtos mais intensos e que podem ser comuns a todos; após o nascimento e durante a adolescência. O momento de pico de crescimento durante a adolescência e por isso vamos ganhando em altura. 

Existe algo de realidade em que as crianças tenham ‘febre de crescimento’? O descanso ou o sono têm relação com o crescimento? 

O crescimento nunca produz febre porque se trata de uma atividade contínua ao longo dos primeiros 18 anos de vida. A febre é um mecanismo de defesa contra outro tipo de patologias. É um fato bem percebido que durante o tempo em que uma criança está na cama por motivos de doença se produz um estirão temporal de crescimento, e as mães podem dizer que a criança tenha ‘estirado’. A maior parte da atividade celular que produz o crescimento se realiza na fase noturna de descanso. Em contraposição existem estudos sobre desportistas que suportam pesos, como as crianças halterofilistas, que apresentam uma menor estatura de suas placas de crescimento, o que traduz uma menor taxa de multiplicação celular. 

Que tipo de tratamento se utiliza hoje para estimular o crescimento das crianças? 

As crianças saudáveis com baixa estatura, mas que têm um crescimento constante não devem se tratar. Para casos de baixas estaturas patológicas devemos tratar a causa que o produz. Tratam-se os déficits de alimentação, os déficits hormonais (hormônios tireoidianos, do crescimento...) ou se trata a doença de base que produz a baixa estatura. Uma vez corrigido o déficit se pode administrar o hormônio de crescimento para produzir um ganho mais rápido de altura perdida. Trata-se de um tratamento administrado unicamente sob supervisão médica, e controlado pelo Ministério da Saúde. Administram-se sob estritos controles médicos, com protocolos muito determinados, devido aos seus potenciais efeitos secundários quando se emprega incorretamente.  

Juan Carlos Abril Martín

Doutor especialista em Traumatologia