China elimina a política do filho único

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Você já imaginou se te proibissem de ter mais de um filho? Filho único, imperativo legal. Pois isto é o que acontecia aos chineses desde os anos 70. A Lei do filho único impedia de ter mais de um descendente, com o objetivo, dizem, de controlar a imensa população que crescia de forma alarmante. 

Superpopulação versus direito fundamental. Ou não é um direito poder conceber um filho? 

Em que consistia a política do filho único na China

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Durante mais de 40 anos os casais que viviam nas zonas urbanas da China não podiam ter mais de um filho. Para os que viviam em zonas rurais, o limite era de dois filhos, sempre e quando o primeiro filho fosse uma menina. Isso porque a China ainda prioriza ter um descendente varão. De fato, a medida do filho único em zonas urbanas teve terríveis consequências. Entre elas, originou um excesso de 34 milhões de varões e um tráfico de mulheres que chegam de outros países mais pobres, abortos seletivos e um enorme abandono de meninas. 

A partir de 2013, o governo comunista chinês permitiu ter dois filhos para aqueles casais cujo um dos progenitores fosse filho único. Agora, a lei do filho único desaparece, mas não totalmente. O limite passa de um para dois filhos. A pergunta é: deveria haver um limite?

Vantagens e desvantagens de ter um irmão

Os bebês chineses, finalmente vão saber o que é ter um irmão. Até agora, estavam acostumados a ser o centro da família. Os pais também notarão a diferença. Isto é o que vão viver os casais chineses a partir de agora, se decidirem ter dois filhos

- O irmãozinho sente que o recém-nascido lhe ‘rouba os seus pais’. Isto dá lugar a ciúmes do irmão mais velho em relação ao pequeno e causa angústia e frustração no primogênito.

- Os ciúmes entre irmãos. Com certeza vão aparecer os inevitáveis ciúmes e inveja entre os irmãos, que os pais terão que aprender a gerenciar com tranquilidade.

- Episódios de regressão. Quando os irmãos mais velhos se sentem ‘ignorados’ diante da chegada do irmãozinho muitas vezes voltam a adquirir hábitos de bebê que já tinham abandonado, como querer novamente a chupeta ou recair em problemas de enurese

- Falta de tempo para os pais. Não é a mesma um filho que dois. Quantos mais filhos, mais tempo os pais vão necessitar de dedicação. 

- Cada filho tem uma personalidade e temperamento diferente. Os pais terão que aprender a educar a ambos de forma diferente, mas justa e equilibrada. Tudo é um desafio. 

- Ter um irmão é uma excelente escola de valores. Aprenderão a compartilhar, a respeitar o espaço do outro e a ser tolerantes. 

- Um fantástico companheiro de jogos e brincadeiras. Nem brinquedos ou jogos. Nem sequer brincar com os pais substitui a um irmão. O irmão, na maioria dos casos (nem sempre) é o melhor entretenimento. 

Estefanía Esteban

Redatora de GuiaInfantil.com