Como educar uma criança dedo-duro

O valor da honestidade na educação das crianças

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

É a partir dos quatro anos quando a criança começa a ter consciência da honestidade, algo que fará com que entenda as normas que deve cumprir tanto ela como os demais. Quando alguém não cumpre essas ‘normas’ impostas pelos adultos, a criança tem a necessidade de dizê-lo aos adultos para que possam remediar tal ‘injustiça’. 

Quando uma criança dedura algo que está ocorrendo, é primordial a atuação do adulto, uma vez que os pais têm que agir de forma tranquila para saber o que realmente passa antes de agir ou decidir consequências

Nunca castigue ao seu filho sem ver o que realmente ocorreu

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Ainda que uma criança dedure algo que está ocorrendo, o adulto nunca poderá castigar os atos que não viram com os seus próprios olhos, ainda que o ocorrido seja evidente. 

A criança dedo-duro que querem, antes de tudo, que se faça justiça, de certo modo está buscando uma resposta por parte do adulto diante do que acaba de contar. É uma forma de querer ‘lidar com a situação’, e por esse motivo os adultos têm que manter a calma o tempo todo e oferecer respostas do tipo ‘eu vou me encarregar disso mais tarde’. Desse modo, a criança dedo-duro verá que sua acusação não teve um êxito imediato, mas que de certo modo era o que estava esperando no momento de dedurar os acontecimentos. 

Se o que a criança dedo-duro disse era verdade, e com certeza se deve repreender a outra criança, isso sempre deverá ser feito fora da presença do acusador. Se você reagir de forma desmedida a criança verá que dedurar é uma atitude positiva e reforçará o comportamento de dedurar, tanto para a criança dedo-duro como para a outra criança. Além disso, quando a criança dedo-duro ‘entrega’ outra criança para tripudiar dela, essa atitude não pode ser reforçada, uma vez que o objetivo não é de avisar de algum perito, mas unicamente porque quer prejudicar a outra

Como diferencial a criança dedo-duro da informante

No caso em que a criança dedure algo para evitar um dano, neste caso deve-se sempre premiar o dedo-duro que passa de ‘dedo-duro’ para ‘informante’, e é possível ter uma atitude de agradecimento, algo que quando se trata de outro tipo de informação deve-se tirar a importância desse caguete. 

Na maioria dos casos essas afirmações podem ser consequências de querer chamar a atenção ou de ciúmes por algum motivo, além do que também a criança possa ter uma baixa autoestima. Nesse sentido, é muito importante trabalhar desde muito cedo a empatia nas crianças. Ensiná-las a dizer a verdade e que entendam que não é a mesma coisa uma fofoca de uma informação relevante

A empatia fará entender o dano que pode causar em outra criança quando acusa, porque com o tempo poderá entender quando uma pessoa pode se sentir humilhada e quando realmente se devem contar as coisas. Às vezes será mais que suficiente usar a simples frase: ‘Não ria do Lucas (ou o nome de qualquer outro menino ou menina acusada), você gostaria que fizessem isso com você?’.  

María José Roldán

Mestre em Educação Especial (Pedagogia Terapêutica) 

Psicopedagoga