Uma criança feliz é travessa, inquieta, curiosa e barulhenta!

Vilma Medina
Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

Um dos objetivos principais que os pais têm é criar os filhos felizes. Tanto faz se ele é o mais esperto da classe, se não jogam bem futebol ou se não são os mais bonitos pelos padrões estabelecidos. O importante é que cresçam alegres! 

Nem sempre as crianças mais espertas, com habilidades especiais ou especialmente bonitas são as mais felizes, tão pouco as que se comportam melhor os mais tranquilos ou calados. Às vezes, são aqueles que parecem mais revoltados, inquietos ou inclusive incômodos para os adultos. E isso tem uma explicação lógica. 

As crianças mais barulhentas são mais felizes que as caladas

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Certa vez, uma diretora da escola infantil me disse que preferia uma criança travessa e barulhenta a uma que fique sentada no seu canto olhando as outras. A primeira criança participa, brinca, erra e aprende, é feliz. 

As crianças são travessas, inquietas, curiosas, dão birras, gritam, desobedecem e têm gênio difícil. As crianças correm, pulam, dão gargalhadas e riem com força. São crianças! Estão em pleno processo de aprendizagem, estão descobrindo o mundo, confrontando aos seus adultos de referência, medindo suas forças. 

O certo é que o nosso trabalho é ensinar-lhes a se comportar, a manter a compostura, a ter bons modos, a adquirir estratégias para uma boa conduta. Isso fica fora de toda dúvida. No entanto, eles necessitam de tempo. Nós estamos lhes ensinando e eles estão aprendendo

A pedofobia está se apoderando de boa parte da sociedade que pretende que os bebês não chorem nos aviões, que as crianças estejam sentadas duas horas num restaurante sem levantar a voz ou andem pela rua como robôs ao invés de ficar dando pulinhos. 

O que aconteceria se inibíssemos toda essa inquietação, gritos, birras e travessuras das crianças? O que aconteceria se nunca, sob nenhuma circunstância pudesse sair dos trilhos? Se não pudesses ser crianças? Simplesmente não cresceriam felizes, não estariam alegres, e estaríamos tirando a capacidade de:  

- Experimentar com o seu meio e das pessoas que as rodeiam. 

- Desenvolver habilidades como a autonomia, a comunicação, a lógica, a temperança... 

- Estimular sua inteligência emocional: elas não estariam trabalhando as cinco emoções básicas: medo, ira, alegria, tristeza e o nojo, para poder controlá-las e dominá-las. 

- Inclusive seus momentos de mau humor e birras promovem a capacidade de argumentar, da memória, da capacidade de dar respostas a situações complicadas.   

Portanto, se em algum momento você vir a uma criança que está sendo barulhenta, não tenha um olhar ruim em relação aos seus pais. Seja um pouco mais tolerante... Ela está sendo feliz

Alba Caraballo

Editora de GuiaInfantil.com