Crianças com deficiência ou com capacidades diferentes?

Vilma Medina Vilma Medina Diretora de Guiainfantil.com

A linguagem vem se humanizando com os anos. Há algum tempo crianças com Síndrome de Down eram chamados de mongóis, mas, graças a Deus isso parece impensável utilizar termos como esses. Crianças estúpidas, atrasadas, idiotas... São expressões que infelizmente passaram pela história.

Atualmente podemos utilizar o nome de deficiência quando nos referimos a crianças com Síndrome de Down, Asperger, autistas, com transtornos motores ou auditivos. Também utilizamos a palavra deficiência para nos referirmos a eles. No entanto, os pais dessas crianças têm começado a utilizar outro termo: crianças com capacidades diferentes. 

Crianças com capacidades especiais ou diferentes

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Utilizamos o termo deficiência ou inválida desde o início dos anos 90 quando se concretizou o seu uso após consenso em mais de 70 países. No entanto, a partir do ano 2000, o que então era candidato mexicano à presidência Vicente Fox utilizou o temo capacidades diferentes para ressaltar as habilidades ou virtudes das pessoas com deficiência em sua campanha eleitoral. O termo teve tanto impacto que ficou registrado nas leis federais ou locais. E, pouco a pouco foi sendo utilizado por mais pessoas, principalmente por pessoas com alguma deficiência e seus familiares. 

Mas, por que utilizar este termo? Qual a diferença entre uma criança com deficiência e outra com uma capacidade especial? 

Não há nenhuma. A diferença está na linguagem, ou seja, no significado que tem para a sociedade ambos os termos. Se nos referirmos a crianças com deficiência, a primeira coisa que pensamos é que são pessoas com menos capacidade que a gente, o que para muitos pais é errôneo, já que não podem ser consideradas pessoas inferiores ou menos que outras crianças. 

No entanto, falar de capacidades diferentes ou especiais não implica em menosprezar a criança, mas mantê-la no mesmo nível que outras crianças, mas ressaltando que elas têm outras habilidades ou capacidades. Baseia-se em que todos os seres humanos têm aptidões, talentos ou habilidades para o exercício de algo. Tenhamos alguma deficiência ou não. E, as crianças com algum tipo de transtorno também têm capacidades, lutam e se esforçam, tentam, trabalham, caem e se levantam, como qualquer outra criança.

Este novo termo pode ajudar com que as crianças se tratem igualmente, sem pensar em diferenças ou fazê-las notar. Evitar os olhares de lástima, pena ou na desigualdade no tratamento. Permitindo a aproximação às crianças com capacidades diferentes para poder também aprender com elas. 

Alba Caraballo

Editora de GuiaInfantil.com